Hilton Luzz
em (des)construção desde 1989
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Vidas Sem Vida
               Hoje vi um garoto, tão jovem quanto eu, à rua mendigando um pão para comer. Mendigando o pão que jogamos no lixo porque não queremos mais, porque estamos cheios. Fartos! Vejo cenas diárias nos jornais de vidas ceifadas pela maldade humana – desordem, e vidas corrompidas por algum vício. Trágico.
               A vida perde o sentido e existência deixa de ser existir, quando preparamos a cama para não saber mais o que será de nós mesmos. Difícil. Literal. Absurdo! Oscar Wilde estava correto quando disse que ‘viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe’. Amor? Que porra é essa? Amor não existe em terra onde as coisas mais importantes são o dinheiro, a estética e egocentrismo. Vive quem sabe amar, existe aquele que não entende o significado de sua própria vida. Vida.
               Uns desgraçados pela própria existência – maldosa, que os impeliu a sacrifícios e humilhações que sobrepujam a carga mental de qualquer um – e vão rua ou outra almejando alguns centavos. Sem entender que são eles mesmos, os pesos de suas costas, fadadas ao engano. Injusto.
               Viver. O que é isso? Desde que passamos diante de um alguém que precisa de nossa ajuda e, a única atitude que temos, é apressar os passos sem antes nos dar ao luxo de estender a mão. Nem sempre – e olhe que essa é a realidade – mendigos querem migalha, às vezes um amigo ou um ombro para contar por cinco minutos, de onde vieram e quem são. Tudo isso porque simplesmente existem. E quem vive – como eu, feliz por dizer – não vou deixar passar um momento de aprendizado, sincero, porque perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes. Drummond já sabia disso.
               Existe um mundo além da ponta do nosso nariz. E esse mundo suplica que façamos um pouco por pessoas que esperam por nós. Podemos achar que somos suficientes em tudo, e erramos quando não entendemos que vamos passar pelo mesmo processo que os ricos, os pobres, os insetos e até a planta que é pisada por todos nós: a morte. Não nos escapa.
              Chega de barbárie. O mundo perdeu os olhos. Políticos corruptos e pessoas de bem que não fazem porra nenhuma por ninguém e que só pensam em si mesmas. E tudo tende a piorar, até que todos voltem a entender que amor, somente ele sobrevive em algum canto dentro de nós. E ponto.
Hilton Luzz
Enviado por Hilton Luzz em 17/04/2012
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