Hilton Luzz
em (des)construção desde 1989
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O começo realmente é um grande problema se pararmos para pensar que demoramos um tempo considerável da nossa vida tentando produzir coisas sobre nós mesmos, que reflitam o que pensamos, como queremos expressar e a quem desejamos atingir. Confesso que desde a infância todas as cartas que escrevi parte foi para dizer a mim mesmo como eu era e a outra parte era com o interesse sincero de ser lido. Talvez (apenas talvez) compreendido.

Chega uma hora que chega e os pontos finais precisam ser desenhados dando lugar a um novo ponto de partida. Metaforicamente falando, a  vida real é bem mais complexa e indissociável de tantas dores de cabeça causadas devido ao estresse do trabalho, da faculdade, da família, dos amigos e de tantas outras circunstâncias do dia a dia que somos obrigados a passar do que nossos cérebro com todos os bilhares de neurônios poderiam ser capazes de pensar.

Há uma mancha que deixamos para trás quando, inevitavelmente, damos um passo à frente. E este passo, como disse antes, é inevitável. Essa mancha diz algo sobre nós mais do que qualquer rede social e ela pode estar certa ou ser apenas uma marca daquilo que éramos instantes antes. Quem escolhe, afinal?
Nossos começos são realmente traumáticos.
Será?

É como uma folha em branco em que desenhamos uma linha e nela rabiscamos sobre aquilo que queremos/pretendemos ser, porém acontece de forma unilateral quando o tempo é quem dita as regras, e se não estamos minimamente preparados deixamos ser conduzidos pelo infortúnio da sorte. Uma triste maneira de ser tragados pelo destino. E quantos milhares de destinos não são apagados como fumaças que se esvaem da queima de um cigarro e que duram uma brevidade tão mínima de segundos? Os começos são como todas as coisas que simplesmente acontecem casualmente e desaparecem no mistério de uma saudade. É como inspirar tão profundamente e prender a respiração, observar as sensações das coisas que acontecem em nosso organismo e inspirar na lucidez de que o tempo é como o ar que sai do pulmão. Uma pausa seguida de um alívio. O peito fica pesado, o corpo rígido e a mente aos poucos desacelerando. Começos exigem um certo esforço, mas valem a pena. 

Já que estamos conversando sobre esforço, faça um? Tente se lembrar de quando foi a última vez que tentou algo novo. Um trabalho, um curso, um relacionamento, um livro, um quadro, uma obra de arte qualquer, enfim, tente lembrar do branco que aparece na mente e de todas as possibilidades bagunçadas que se misturam, se organizam, desorganizam, formando tudo e nada ao mesmo tempo, muitas frases, apresentações, passar a repassar na mente as cores da tela ou o que dizer em um momento de novidade, ou o que escrever se nenhuma palavra toma corpo e perceber que o branco permanece branco simplesmente pelo fato de que o começo de alguma coisa é difícil para todos nós e as sensações podem ser parecidas. 

É tão incrível quando nos damos conta de que tudo o que sentimos todas as outras pessoas passarão na vida algum momento. Não é reconfortante? Não adianta fechar os olhos porque todos os dias é a oportunidade que temos de treinar ser uma pessoa melhor em todos os ângulos.
Hilton Luzz
Enviado por Hilton Luzz em 11/03/2021
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